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Você confiaria o seu dinheiro ao Facebook?
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Você confiaria o seu dinheiro ao Facebook?

Libra chegará ao mercado em 2020. Mas dada a brechas de privacidade recentes, quais os riscos de confiar seu dinheiro à empresa de Mark Zuckerberg?

Por Carla Matsu

01/07/2019 às 8h00

Foto: Shutterstock

As ambições pela criação de uma moeda global ganharam, nas últimas semanas, um novo representante de peso. Depois de muitos rumores, o Facebook anunciou oficialmente os planos para lançar uma moeda virtual para chamar de sua: a Libra. Ela permitirá, quando lançada em 2020, que seus bilhões de usuários ao redor do mundo possam fazer transações financeiras online. Uma das grandes vantagens que a moeda promete é que, dada a capilaridade do Facebook, as taxas para transferência internacional de valores estará entre as mais baixas do mercado.

O anúncio da Libra ecoou mundo afora. E as reações foram diversas. De críticos e representantes políticos preocupados sobre a privacidade e os possíveis impactos financeiros ao redor do mundo a empreendedores otimistas com a iniciativa. Fato é que não faz muito tempo que o fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, testemunhou diante o Congresso norte-americano sobre como seu modelo de negócios opera e as vulnerabilidades que levaram ao escândalo envolvendo a consultoria política Cambridge Analytica. Outros vazamentos de dados envolvendo o Facebook, Instagram e até mesmo brechas no WhatsApp colocam mais interrogações sobre as novas ambições do Facebook do que certezas. Afinal, tendo isso em mente você confiaria ao Facebook o seu dinheiro?

Para Gabriel Aleixo, pesquisador do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio e especialista em criptomoedas, o lançamento da Libra é um movimento natural para uma gigante rede social como o Facebook. Afinal, olhe para o Facebook e você verá um verdadeiro império de comunicação sob o domínio de uma empresa: WhatsApp, Instagram, Facebook Messenger e o próprio Facebook. "O Facebook já possui usuários, literalmente aos bilhões, em suas múltiplas aplicações", pontua Aleixo em entrevista ao itmidia.com. "Logo, para concretizar seu sonho de construir uma 'moeda global' só faltava uma camada financeira com apelo comercial e vantagens técnicas fortes o suficiente para conduzir uma integração entre as redes que a companhia já possui, de modo que seus usuários possam transacionar valores monetários e não mais apenas mensagens, fotos etc", complementa.

Alex Tapscott, cofundador do Instituto de Pesquisa Blockchain, acredita que o passo dado pelo Facebook em direção à Libra representa um dos mais significativos a abraçar o blockchain. "Muitas grandes companhias deram passos reais para abraçar blockchain", disse Tapscott em entrevista recente à Computerworld americana. "Mas este é de longe o maior em implementação corporativa". O impacto, segundo ele, será "cataclísmico".

Daniel Coquieri, COO da Bitcoin Trade, vê o lançamento da Libra de forma muito positiva. "É um indício do amadurecimento do mercado de moedas digitais, e pode também incentivar a regulação de moedas digitais como um todo. A investida do Facebook e sua própria criptomoeda tem alcance global e pode ser um passo importante na democratização de criptoativos, além de acelerar a transformação na forma como nós entendemos e lidamos com o dinheiro", defende.

Afinal, como funcionará e o que difere a Libra de outras criptomoedas?

Em resumo, a moeda global criada pelo Facebook é sustentada por uma versão criada pela companhia do blockchain, a tecnologia de blocos que dá base e legitima o bitcoin e outras criptomoedas. Mas diferente destas, a Libra não é uma moeda descentralizada - e sim - permissionada. Aleixo, do ITS-Rio, explica que o acesso à base de dados será restrito nos primeiros anos de operação tanto para as funções de validador (“minerador”) quanto auditor (“full node”). Isso porque há um grupo de empresas poderosas que controlarão a Libra, além do Facebook. A chamada Associação Libra, descrita como independente ao Facebook e com base na Suíça, é composta por outros 27 parceiros, incluindo Visa, Mastercard, eBay, PayPal, Stripe, Spotify, Uber, Lyft, e Coinbase. Segundo o Facebook, a associação atua para validar as transações no blockchain da Libra.

Quando a moeda for lançada, usuários poderão baixar a Calibra, carteira digital que permitirá enviar Libras a qualquer pessoa com um smartphone. Inicialmente, as transações poderão ser enviadas pelo Messenger, WhatsApp e um app independente.

Aleixo reforça o alcance sem precedentes que uma moeda como a Libra terá quando lançada. "É uma moeda digital que já nasce, praticamente, com uma base de milhões de usuários em potencial, diferente de projetos comunitários como o Bitcoin e a Ethereum, as quais tiveram mais de dois anos de curva de aprendizagem e popularização até encontrarem seus primeiros milhares de usuários reais", destaca.

"É uma sacada importante de mercado, tendo em vista que esta é uma moeda que quebra fronteiras internacionais e permite um acesso maior a novas formas de pagamento. De certa forma, podemos passar a ver o Facebook como um grande banco digital", avalia Coquieri.

Uma questão de privacidade

Entretanto, para além do histórico de vulnerabilidades que o Facebook apresentou no último ano, uma iniciativa onde o Facebook propõe agregar um novo caráter monetário levantou sobrancelhas do mercado. Logo após o anúncio oficial da Libra, políticos nos EUA e União Europeia pediram a suspensão do projeto até que o Congresso e reguladores avaliem a iniciativa. "O Facebook tem dados sobre bilhões de pessoas e tem mostrado repetidamente um desrespeito pela proteção e pelo uso cuidadoso dessas informações", afirmou Maxine Waters, presidente do Comitê de Serviços Financeiros da Câmara, na ocasião. "Com o anúncio de que planeja criar uma criptomoeda, o Facebook continua sua expansão descontrolada e amplia seu alcance sobre as vidas de seus usuários."

O consórcio poderoso formado por 28 empresas - incluindo aqui o Facebook - também levantou questionamentos acerca de como tais companhias poderão ter conhecimento do histórico e comportamento de compras dos usuários.

Apesar do consórcio diversificado de empresas, o "uso comercial de informações pode ser prejudicial a usuários que dependam de mais alto grau de privacidade em suas transações", destaca Aleixo. "Isso porque os dados de transações poderão eventualmente ser tratados, combinados e cruzados com informações que outras gigantes de tecnologia já possuem sobre hábitos de consumo, preferências pessoais e afins. Ou seja, uma condução inadequada, um uso abusivo desse poder informacional ou mesmo um vazamento de alguns desses cruzamentos privativos de perfis informacionais dos usuários poderia muito prejudicial", argumenta o pesquisador.

Em editorial assinado para o The New York Times, Matt Stoller, associado ao Open Market Institute, mostrou desconfiança sobre o projeto do ponto de vista de sua privacidade.

"Imagine a subsidiária do Facebook, Calibra, conhecendo o saldo de sua conta e seus gastos, e oferecendo para vender a um varejista um algoritmo que maximizará o preço do que você pode pagar por um produto. Imagine esse cartel tendo esse tipo de visibilidade financeira não apenas para muitos consumidores, mas para empresas em toda a economia. Tais conflitos de interesse são os motivos pelos quais pagamentos e serviços bancários são separados do resto da economia nos Estados Unidos", assinou Stoller ao jornal.

O futuro da Libra pode ser uma ameaça ao dinheiro como conhecemos?

O Facebook reconhece que precisa recuperar a confiança do usuário. Ao criar uma associação independente, o Facebook tenta dizer que não terá o controle majoritário sobre a Libra, mas também atesta de que grandes interesses de outras gigantes do mercado está em jogo.

A gigante rede social afirmou que irá implementar tecnologias que previnam, por exemplo, a lavagem de dinheiro e outras fraudes. "Nós iremos usar todos os mesmos processos anti-fraude e verificação que bancos e cartões de crédito usam, e nós teremos sistemas automatizados que irão monitorar proativamente para proteger e prevenir comportamento fraudulento", comunicou.

Segundo a companhia, o Blockchain Libra será construído em código open source que permitirá, eventualmente, desenvolvedores e a comunidade de pesquisa a monitorar o design e falhas de segurança. O Facebook ainda diz que irá manter dados financeiros das transações com a Libra independentes aos perfis de usuários. "O blockchain é pseudônimo", disse a companhia, acrescentando que as informações da conta dos usuários com carteiras Calibra e seus dados financeiros não serão usados para melhorar anúncios do Facebook, tampouco sua família de produtos.

Para Gabriel Aleixo, do ITS-Rio, as principais ressalvas se encontram nas questões referentes à privacidade. "Maiores detalhes sobre como se dará o tratamento de dados financeiros precisam vir à tona, a fim de que os usuários façam escolhas conscientes", salienta.

Segundo o pesquisador, tanto devido às vantagens tecnológicas como à larga dimensão da rede de usuários das companhias presentes no consórcio, os principais benefícios já são sabidos: transações mais rápidas, mais baratas, fáceis de se operacionalizar e potencialmente com menor risco monetário do que o de moedas nacionais em regiões que passam por crises econômicas. "Por outro lado, são gigantes econômicos se unindo em prol de uma causa comum de avanço da tecnologia financeira, o que deve nos deixar atentos para o risco de não se substitua um velho oligopólio (o dos bancos comerciais) por um novo (o das grandes empresas de tecnologia)", reflete Aleixo.

No final do dia, restam ainda muitas perguntas não respondidas pelo Facebook acerca de sua moeda digital. Mas está certo de que a forma como utilizamos nosso dinheiro não será mais a mesma. "Acredito, que os bancos como mercado não sumirão, mas só restarão no futuro os bancos que melhor tiverem se adaptado", conclui Aleixo.

 

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