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Venda de likes e seguidores nas redes sociais se torna ilegal em caso inédito nos EUA

Em dois anos, empresa Devumi faturou US$ 15 milhões com prática. Após investigação do NYT, companhia encerrou suas operações

Da Redação

11/02/2019 às 9h00

Foto: Shutterstock

Redes sociais como o Instagram, Twitter e LinkedIn se tornaram grandes centros de influência e, consequentemente, atraíram para si novos modelos de negócio, incluindo aí o da venda de likes, seguidores e retuítes. Entretanto, a Justiça de Nova York decidiu, recentemente, em caso contra a empresa Devumi que a prática é ilegal.

O caso retoma a janeiro de 2018, quando uma reportagem do New York Times escancarou o submundo da venda de influência online pela Devumi. Além dos seguidores, a empresa prometia aos seus clientes vender engajamento. O que se descobriu, no entanto, foi bem diferente. Milhões de contas de bots ficaram sem controle no Twitter, YouTube, LinkedIn, Pinterest e até mesmo no SoundCloud. De acordo com a Procuradoria Geral de Nova York, algumas das contas falsas roubaram fotos de pessoas reais em redes sociais. Com essa base de seguidores falsos, a Devumi vendeu um serviço fraudulento para celebridades, músicos e atletas.

A decisão da Justiça de Nova York é a primeira a concluir que vender falsa influência nas redes sociais e usar identidades roubadas para os mesmos fins é ilegal. Em comunicado, Letitia James, procuradora geral de Nova York, afirmou que a decisão visa também dar um recado a outras empresas que seguem o mesmo modelo de negócio: "Bots e outras contas falsas têm corrido solta nas plataformas de rede social, muitas vezes roubando identidades de pessoas reais para realizar fraudes. Com este acordo, estamos enviando uma mensagem clara de que qualquer um que lucre com a fraude e a falsidade de identidade está infringindo a lei e será responsabilizado".

Por que isso importa - A prática de seguidores e likes comprados faz opiniões e as pessoas parecem mais populares do que realmente são. Além disso, cria-se um trampolim para inflar fake news. Companhias como Facebook e Twitter têm concentrado esforços para lidar com a disseminação da desinformação em suas plataformas, uma vez que elas impactam diretamente o debate político. Ao mesmo tempo, contas falsas são usadas para influenciar consumidores e anunciantes - o que os primeiros escolhem comprar e o que os segundos optam por patrocinar.

Segundo o NYT, a Devumi vendeu cerca de 250 mil engajamentos em redes sociais entre 2015 e 2017 e faturou 15 milhões de dólares em dois anos. Após a reportagem, a empresa encerrou suas operações em setembro, devido ao declínio em suas vendas. A companhia terá de pagar uma multa de US$ 50 mil a Nova York.

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