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Startups fundadas por mulheres faturam mais, mas desigualdade ainda permanece
Startups fundadas por mulheres faturam mais, mas desigualdade ainda permanece
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Startups fundadas por mulheres faturam mais, mas desigualdade ainda permanece

Apesar de mais lucrativas, startups criadas por mulheres recebem menos investimento. Empreendedoras refletem os porquês e saídas para a desigualdade

Carla Matsu e Déborah Oliveira

08/03/2019 às 10h00

Foto: Shutterstock

O ecossistema brasileiro de startups tem evoluído nos últimos anos, como mostrou um mapeamento feito pela ABStartups. Em 2018, foram contabilizadas 10.228 startups no País, número 20% maior quando comparado ao ano anterior. Entretanto, a realidade para o empreendedorismo feminino é outra: poucas são as mulheres à frente das startups.

Segundo a mesma associação, apenas 12,73% ocupam o cargo de CEO atualmente. O equilíbrio de gênero também não é refletido nas equipes das jovens empresas de tecnologia. Em 2017, os times das startups se mostraram majoritariamente masculinos, apenas 15,66% das startups atingiram igualdade de gênero dentro da equipe, de acordo com a entidade.

O cenário parece ainda mais desolador quando as mulheres empreendedoras partem em busca de investimento-anjo. Estudo realizado pelo The Boston Consulting Group (BCG), divulgado em 2018, concluiu que em um período de cinco anos, as startups criadas por homens receberam US$ 2,12 milhões, enquanto as fundadas por mulheres obtiveram menos da metade: US$ 935 mil.

Apesar disso, a pesquisa revelou que as startups com mulheres fundadoras se mostraram mais rentáveis. Para cada dólar de financiamento, as startups criadas por elas geraram 78 centavos, enquanto aquelas fundadas por homens renderam 31 centavos. Para o estudo, o BCG recorreu à base de dados da MassChallenge, rede global de aceleradoras de startups. Foram consideradas 350 startups — 258 criadas por homens e 92 fundadas ou cofundadas por mulheres.

Diante desses números, por que a disparidade ainda permanece? Para Camilla Junqueira, diretora-geral da Endeavor, a resposta não é tão simples. A executiva, que aos 33 anos comanda a entidade cuja missão é apoiar startups de alto impacto, resgata o passado para explicar algumas das razões do quadro. “Fomos reconhecidas como ativos relevantes mais tarde. Há uma série de fatores externos associados, como histórico de desigualdade e privação de direitos, mas há também a questão cultural de como as mulheres foram criadas. Isso prejudicou os dois lados”, comenta.

Camilla Junqueira, da Endeavor

Camilla Junqueira, da Endeavor

Outras estimativas apontam ainda que, para as mulheres, é mais complexo acessar crédito nos bancos, se relacionar com os fundos de investimento e se dispor a assumir uma dívida em um cenário de incerteza. “É uma realidade. É claro que o capital de risco não é única forma de angariar recursos. Tem muito empreendedor criando empresas só com caixa da empresa, mas não é o cenário da maioria”, observa Camilla, reforçando que no empreendedorismo a mulher está em desvantagem.

Uma questão de confiança

Para Tânia Gomes Luz, vice-presidente da ABStartups, o histórico de desigualdade de gênero também influencia na confiança das mulheres ao apresentarem seus negócios para investidores. "Quando uma mulher sobe ao palco para fazer um pitch, ela já sobe com a informação de que historicamente mulheres recebem menos investimento", pontua.

Tânia também observa que a diversidade não é vista entre investidores. No Brasil, são poucos os grupos de investimento focados em mulheres, um deles é o MIA - Mulheres Investidoras Anjo. "Não acredito que a gente precise dessa segregação, mas estamos em um momento de investimento no Brasil que precisamos mais de apoio. Vai ter um momento que não vai ser mais necessário. O investimento-anjo é algo muito recente e também temos poucas mulheres investidoras por uma questão cultural, elas não são incentivadas ao investimento de risco", avalia Tânia.

Camilla, da Endeavor, citou um experimento realizado no mercado, em que o mesmo pitch sobre o negócio foi lido por homens e mulheres, em uma competição avaliada por investidores. Quando foi pedido que os investidores escolhessem um projeto, 68% deles preferiram investir em negócios apresentados por homens.

Tânia Gomes Luz, vice-presidente da ABStartups

Em quem você se inspira?

Levantamento Female Entrepreneurship Index aponta que o pilar de networking para as mulheres brasileiras é um dos mais baixos do mundo, em parte porque ele considera a presença de exemplos femininos próximos que inspiram a continuar empreendendo. A rede de apoio é essencial para qualquer empreendedor e com as mulheres não é diferente. "Se a gente não se enxerga, se não temos modelos, a gente não acredita que pode chegar lá", destaca Tânia.

Algo que Camilla, da Endeavor, concorda. “Óbvio que me espelho em vários empreendedores homens, mas tem algo diferente em enxergar uma mulher bem-sucedida”, observa. Menos de 10% do total das empresas da Endeavor têm sócias mulheres. Uma das metas da entidade para 2019 é buscar mais startups lideradas por mulheres. “Intencionalmente estamos atrás e garantindo falar com mais mulheres na fase inicial do funil. É um papel que temos de ter como organização”, indica Camilla.

Gabriela Correa, fundadora do Lady Driver, app que conecta motoristas mulheres a passageiras, resolveu criar o serviço em 2016 após ser vítima de assédio ao usar um app de transporte. Para colocar o aplicativo no mercado ela recorreu às próprias economias. A primeira capitalização de fora veio apenas no ano passado. Ela conta que, inicialmente, sentiu resistência de investidores em verem real valor em um serviço dedicado especialmente ao público feminino.

Gabriela Correa, CEO do Lady Driver

“É difícil, muitas vezes, explicar para um homem a necessidade de ter um transporte exclusivo para mulheres, gerar essa empatia”, conta ela em entrevista ao itmidiacom. “Quando falamos em mobilidade, ela não é, de forma geral, pensada na mulher. Não se leva em consideração os riscos nas ruas. Então quando eu me sento em uma mesa com homens, eles não conseguem ver a necessidade de um transporte exclusivo para o público feminino nem mesmo quando eu digo que no ano passado crescemos 110%”, explica.

Atualmente, a Lady Driver conta com uma equipe de 30 pessoas. A maioria das profissionais mulheres. Gabriela aponta uma lacuna que também atinge o ecossistema de empreendedorismo feminino: a falta de desenvolvedoras. No caso da startup, o setor de tecnologia é composto apenas por homens. “Ainda é raro encontrar mulheres na área. É algo que está mudando, mas ainda penso que vai levar alguns anos para atingirmos essa igualdade”, reforça.

"Fale mais alto"

Caroline Dassie não hesitou quando deixou uma construtiva carreira no mercado financeiro para empreender há alguns anos. Mas foi a postura que teve de endurecer em uma competitiva Bolsa de Valores que Caroline levou consigo quando lançou a Hisnëk. A startup desenvolveu um benefício corporativo que reúne serviços de saúde, alimentação e bem-estar em um modelo de assinatura e conta com grandes clientes como DASA, Alelo e Nokia, cobrindo mais de 70 mil funcionários.

Ela também apostou suas reservas para tirar a startup do papel para depois participar duas rodadas de investimento. Ela conta que por ter um perfil que considera “mais agressivo” não se sentiu intimidada no meio empreendedor. “Eu subo o tom de voz tanto quanto eles. Tem reuniões que se você não se posicionar, você não participa”, indica. “Você não pode assumir uma postura de inferioridade”, ensina.

A empreendedora participa também de uma rede de mulheres e mães empreendedoras, a B2Mamy. Para ela, redes de apoio como essa são, muitas vezes, o empurrão que uma mulher precisa para ganhar mais confiança. “As mulheres têm muita força, mas às vezes falta alguém que lhes dê coragem”, reforça. Desenvolver uma postura mais assertiva é um dos conselhos que Caroline dá para empreendedoras quando vão buscar investimento. “É preciso que ela chegue no investidor sabendo que ela tem muito a oferecer e não o contrário. Muitas mulheres acham que estão pedindo um favor, mas se você tem um bom negócio em mãos é você que está dando a oportunidade de alguém investir em algo legal. Com esse pensamento, você se empodera”, reflete.

Caroline Dassie, CEO da Hisnëk

Por que precisamos falar sobre diversidade?

Pesquisas relatam que startups que têm mulheres à frente das suas operações têm melhor performance. Estudo da empresa de capital de risco norte-americana First Round Capital realizado com 300 startups com pouco mais de uma década de existência mostrou que a participação de, pelo menos, uma mulher como fundadora tem desempenho 63% superior quando comparado com empreendimentos comandados apenas por homens. Dos seus dez melhores investimentos em valor na época, três - Birchbox, Ringly e Wanelo - foram fundados por mulheres.

Uma das saídas para fomentar a diversidade no empreendedorismo, na visão de Gabriela Correa, CEO do Lady Driver, poderia partir dos próprios fundos de investimento. “Grandes empresas falam de diversidade e empoderamento, mas elas podem praticar isso", defende ao sugerir que fundos de venture capital dediquem uma quantia para projetos de diversidade como um todo.

“A diversidade importa. Parece óbvio, mas é algo que precisa ser dito e comprovado. Não se trata de mulheres dominando o mundo, mas mulheres com papéis tão relevantes quantos os homens no futuro do empreendedorismo”, observa a Camilla, da Endeavor. Um discurso alinhado com o pensamento de Caroline , da Hisnëk: “quando não precisarmos mais falar de diversidade, é porque todo mundo entendeu. Mas é um caminho até chegar lá. Não temos como fugir disso. Temos de educar o meio”.

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