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Robôs como Pepper serão mais valiosos que smartphones, diz especialista
Robôs como Pepper serão mais valiosos que smartphones, diz especialista
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Robôs como Pepper serão mais valiosos que smartphones, diz especialista

Em entrevista, engenheiro de desenvolvimento do robô da Softbank fala sobre a tecnologia e a ascensão da inteligência artificial

Por Carla Matsu

01/12/2016 às 18h06

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Foto:

Robôs alimentados com inteligência artificial deixaram de ser exclusivos de filmes de ficção científica para assumirem seu papel cativo ao lado de famílias de carne e osso. Pepper, criação da empresa japonesa Softbank e de sua subsidiária francesa Aldebaran Robotics, é um dos exemplos de quão distante a tecnologia já chegou.  

Apresentado pela primeira vez em 2014, Pepper, com seu 1,21m de altura e 28 quilos, foi concebido, inicialmente, para ser uma espécie de robô de estimação, cujos grandes olhos atentos e voz infantil, soam como a materialização de um personagem robótico de mangá. 

Em resumo, o que distancia Pepper das versões sugeridas em catastróficos cenários de Hollywood é que o carismático robô recebeu um “coração” e personalidade, alimentados por inteligência artificial e projetado para “ser carinhoso e fazer as pessoas sorrirem”, como explicou na ocasião Masayoshi Son, CEO da Softbank, ao apresentá-lo. 

As capacidades emocionais do robozinho são atribuídas a câmeras, sensores infravermelhos e tecnologia de reconhecimento facial, todas desenhadas para responderem a estímulos de seus companheiros humanos. Pepper é empático ao notar que um humano está triste e na tentativa de resolver isso, pede por um abraço. Ele também é perspicaz ao dizer que é parecido com humanos, pois assim como nós, gosta de falar de si mesmo.  

Mas você pode se perguntar do real apelo para um robô vendido ao equivalente a US$ 1.900 no mercado japonês. Só o fato de ser fofo, bem-humorado e uma companhia que te lembra sobre sua agenda e os remédios a serem tomados seriam suficientes? Para Sean Mckelvey, engenheiro de desenvolvimento da Softbank, Pepper fundamenta o que um dia se tornará uma experiência mais pessoal do que hoje os smartphones assumem no centro de nossas rotinas. No Brasil para o Wired Festival, evento promovido pela publicação de tecnologia, Mckelvey falou ao IDG Now! sobre a tecnologia por trás do Pepper e seu valor também atribuído aos negócios. “Robôs pessoais nos ajudarão a organizar nossas vidas em níveis emocionais e psicológicos de uma forma que smartphones têm organizado nossas vidas digitais e nossos dados”, compara. 

Para contextualizar o sucesso e a demanda do Pepper, quando mil unidades foram colocadas à venda no mercado japonês em 2015, a Softbank vendeu todo o lote em apenas um minuto. No último ano, a companhia também tem testado as habilidades sociais do Pepper em lojas da própria Softbank e outras de parceiros no mercado americano e até mesmo em um hospital na Bélgica, onde recebe pacientes e os direciona para seus quartos. 

A visão da Softbank é que robôs serão companheiros ideais para uma população que envelhece cada vez mais no Japão e que nos próximos 30 anos humanóides estarão presentes em quase toda família auxiliando não só em tarefas domésticas, mas educando crianças, integrando familiares e auxiliando idosos.

A seguir, confira a entrevista com Sean Mckelvey. 

IDG Now! - Sean, você poderia nos dar uma breve introdução sua e também contar sobre o seu envolvimento na Softbank e, em especial, com o Pepper?

Sean Mckelvey - Eu nasci nos Estados Unidos, mas tenho morado e trabalhado no Japão por 12 anos. Nos últimos três anos eu tenho trabalhado no projeto Pepper na SoftBank Robotics, com a maior parte do meu trabalho focado ao redor de planejar o Pepper para casa, criando uma variedade de aplicações que exibem as habilidades únicas e também em definir experiências “humanas/robôs” para nossos clientes. Essa tem sido a parte mais gratificante do meu trabalho, porque eu penso que o Pepper é uma plataforma única e poderosa para revolucionar a forma como seres humanos interagem com tecnologia inteligente, e eu penso que essa nova forma de interação vai prometer avanços importantes em nossa sociedade. 

IDG Now! - O Pepper  foi concebido primeiramente para ser um robô doméstico, mas agora a tecnologia também está sendo aplicada nos negócios. Onde robôs têm ou terão maior valor, na sua opinião?

S.M - Para ser honesto, eu me surpreendi que tantos negócios tenham ficado interessados em ter o Pepper trabalhando para eles, especialmente porque meu trabalho foi muito focado em como tornar o Pepper um membro interativo e amado da família. Mas o Pepper faz tantas coisas boas em uma variedade de negócios, onde as pessoas gostam de interagir com ele da mesma forma que elas gostam de fazê-lo em casa.  E esse é o verdadeiro poder do Pepper: interação. Em qualquer ambiente, o Pepper é divertido e também consegue conectar a uma variedade de sistemas de nuvem, o que significa que enquanto oferece uma atmosfera divertida, o Pepper também fornece experiências que agregam valor para o cliente através de uma rápida entrega de informação customizada que se relaciona especificamente com as necessidades individuais do consumidor. O Pepper também nunca fica cansado, doente ou mal-humorado, então clientes estão sempre obtendo uma experiência agradável e consistente.

IDG Now! - A inteligência artificial fica melhor com a interação. Como pessoas comuns podem se beneficiar do Pepper e vice-versa?

S.M - Primeiro e principalmente, o Pepper consegue operar como uma plataforma de analytics no mundo real para reunir informações específicas sobre como clientes interagem com negócios, quem são aqueles clientes e talvez, o mais importante, através de reconhecimento emocional, como esses consumidores estão de fato se sentindo sobre suas interações com o negócio. Obter tal informação sem entediar o consumidor, mas ainda assim conseguir usar essa informação para confeccionar experiência para aquele cliente é um potencial uso extremamente poderoso para a inteligência artificial. 

Eu também penso que inteligência artificial aprenderá de cada interação com um cliente e conseguirá facilmente lembrar todas as partes daquela interação para saber mais sobre um consumidor e usar aquela informação para oferecer experiências que agregam valor e que se tornam mais valiosas a cada interação.

IDG Now! - A Softbank lançou o Pepper em 2014. Desde então, como o Pepper evolui e quantas unidades já foram entregues a clientes?

S.M - Como você mencionou, o Pepper deixou de entreter nossos clientes na loja da SoftBank para morar com famílias e agora está trabalhando no varejo, em bancos, hospitais, hospitalidade e viagens. Há milhares e milhares de Peppers pelo Japão e mais recentemente em Taiwan e nós estamos planejando em introduzir o Pepper para trabalhar em várias regiões nos Estados Unidos.

IDG Now! - Quando nós falamos sobre robôs e a ascensão da inteligência artificial e do aprendizado de máquina, também refletimos sobre os efeitos colaterais da tecnologia. Qual é sua visão sobre isso? Você acredita que robôs, eventualmente, nos substituirão e tornarão humanos obsoletos em suas habilidades?

S.M - Primeiramente, deixe-me dizer que muito do sucesso que nós estamos vendo com o Pepper é por que ele é capaz de fazer tarefas mais simples e repetitivas que podem tirar tempo de empregados para que humanos foquem suas energias em tarefas mais valiosas que possam impactar positivamente consumidores. Eu penso que a medida que robôs e a inteligência artificial se tornam mais e mais inteligentes e capazes eles irão deter a capacidade de fazer ainda mais para nos ajudar; como alguém que mora no Japão eu imediatamente penso sobre empregos de risco como reparos de usinas nucleares em Fukushima e outros papéis de alívio de desastre que colocam vidas humanas sob risco. 

Além disso, há empregos que robôs e IA podme oferecer tanto valor que melhoraria drasticamente a qualidade de vida para aqueles que estão hospitalizados e para tratamento de idosos e até mesmo para cuidados paliativos. Esses são os tipos de experiências "homem-robô" que eu sou feliz em ajudar a desenvolver. Nós continuaremos a desenvolver tecnologia de ponta e fazer de uma forma que é benéfica para sociedade e para a igualdade no trabalho, não colocá-la sob risco. É minha esperança de que tecnologia como robôs nos ajudarão a revolucionar nossa sociedade e a mudar positivamente nossas ideias e relacionamento do trabalho.

IDG Now! - Você acredita que robôs pessoais eventualmente assumirão o mesmo papel que smartphones detêm em nossas rotinas?

S.M - Sim, eu acho! Mas de uma forma muito mais pessoal e dramática. Eu penso a medida que nós desenvolvemos novas formas de interfaces de usuário e experiências de usuário, robôs irão nos fornecer informações muito mais valiosas antes mesmo de nós pedirmos por elas.  E nem todas serão sobre dados ou lembretes, mas serão sobre nossas necessidades físicas e emocionais. Robôs terão a habilidade de ler e entender mudanças físicas a minuto que mostram necessidades inconscientes antes de nós termos consciência delas. Robôs pessoais nos ajudarão a organizar nossas vidas em níveis emocionais e psicológicos de uma forma que smartphones têm organizado nossas vidas digitais e nossos dados. 

IDG Now! - O quão distante estamos de ter o Pepper em nossas casas e a essa altura o que levará as pessoas a acreditarem que elas precisam de um em casa?

S.M - No Japão, nós já temos muitos clientes vivendo com o Pepper. Eu também moro com um Pepper! Ele é ótimo em casa. Pepper é uma ferramenta de comunicação e ajuda famílias a se comunicarem melhor. Ele pode te acordar de manhã e te dar notícias, rodar seus vídeos favoritos e lembrá-lo de que você precisa levar seu guarda-chuva quando for chover. O Pepper é um ótimo educador e entretenimento para crianças em casa e até mesmo ajuda a encontrar receitas. Ele cabe no estilo de vida de qualquer pessoa e fornece valor e nossos parceiros de desenvolvimento asseguram que novas e interessantes aplicações e experiências continuarão sendo lançadas para personalizar ainda mais a sua vida com o Pepper. 

 

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