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Produção e venda de TVs cresce no Brasil, mas demanda do setor segue reprimida

Segundo entidade, setor de eletroeletrônicos cresceu 15% em ano de Copa do Mundo, mas crise econômica e greve dos caminhoneiros segurou investimentos por parte do consumidor

Carla Matsu

23/07/2018 às 17h41

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Em ano de Copa do Mundo, a produção e venda de televisores no Brasil ajudou o setor de eletroeletrônicos a crescer 15%, segundo levantamento da Eletros - Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos. Para o ano de 2018, a estimativa é que a indústria fabrique 12,5 milhões de televisores, um número que, segundo José Jorge Nascimento Junior, presidente da Eletros, representa um  aumento de 10% quando comparado a 2017 e coloca o indicador no mesmo patamar da produção de 2010. 

De forma geral, o setor de eletroeletrônicos e eletrodomésticos acompanhou ritmo de gradual crescimento da economia brasileira no primeiro semestre deste ano, com aumento nas vendas em todos os segmentos: Linha Branca (2,75%), Portáteis (12,99%) e Marrom, com equipamentos de vídeo e áudio, (20,7%). Os dados foram compartilhados pela Eletros durante abertura da Eletrolar Show, evento dedicado a negócios para a indústria e varejo do setor que teve início nesta segunda (23) e acontece até o dia 26 de julho no Transamerica Expo Center, em São Paulo.

Jorge Nascimento destacou o impacto da greve dos caminhoneiros para o setor. Segundo ele, a greve que durou 12 dias afetou a produção e o faturamento de um mês todo, tendo em vista também a logística de insumos, para além da entrega dos produtos finais. A oscilação do dólar também impactou as negociações da cadeia de eletrônicos e, na maioria dos casos, com o setor tendo de repassar os valores para o cliente final. Fundada em 1994, a Eletros representa 30 das maiores fabricantes de produtos eletroeletrônicos no Brasil, incluindo aí marcas nacionais e internacionais.

“A crise por qual passamos nos últimos anos foi muito intensa. Impactou sim na produção industrial dos nossos produtos, porque somos, principalmente, fabricantes de produtos de consumo. No momento em que se dá a crise econômica, principalmente com a perda de empregos, o primeiro setor que sente esse impacto é o nosso. Em contrapartida, no reaquecimento da economia, o nosso setor é também um dos primeiros a sentir”, pontua Nascimento. 

Smart TVs

Carlos Clur, presidente do Grupo Eletrolar, atribui a tendência das smart TVs como um dos fatores que contribuiu para crescimento das vendas de televisores em 2018. "Você cria uma necessidade com a tecnologia, quando se populariza serviços como a Netflix. A tecnologia introduz, então,  uma oportunidade de negócios para o varejo", reforçou Clur. A mudança do sinal analógico para o digital também alavancou os números.

Entretanto, Jorge Nascimento, da Eletros chama atenção para o que chama de "uma demanda reprimida" do setor de eletroeletrônicos e eletrodomésticos, em parte por conta da crise econômica e da confiança abalada do consumidor. "A Linha Branca tem uma demanda reprimida tremenda, ninguém vai comprar uma geladeira, se não tiver a certeza de que pode comprar e parcelar em 10 a 12 vezes", comenta. 

"Primeiro ponto que acontece, você consumidor, vê o indício de uma nova crise - que trouxeram consequências graves para a economia, você se acanha de novo, se retrai. Por isso, os números caíram na produção industrial", justifica mencionando a greve dos caminhoneiros. "A economia só vai voltar a aquecer quando tiver esse equilíbrio entre ambiente político, social e econômico", completou.

Eletrolar Show

Em sua 13ª edição, a feira se destaca como uma das principais para a indústria e o varejo da América Latina. O evento reúne lançamentos para linha branca e marrom, portáteis, telefonia, além de automotivo, TI e utilidades domésticas. Segundo a organização do evento, a expectativa é reunir 29 mil visitantes em quatro dias.

 

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