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Pais desconhecem os perigos de expor os filhos na Internet e nas redes sociais
Pais desconhecem os perigos de expor os filhos na Internet e nas redes sociais
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Pais desconhecem os perigos de expor os filhos na Internet e nas redes sociais

O que poucos sabem é que metade das fotografias em sites de pedofilia vieram das mídias sociais

José Antonio Milagre *

07/10/2017 às 9h48

campanhacontrapedofilia.jpg
Foto:

Não há duvidas que é maior a frequência
de crimes digitais em face de jovens da geração Z, nascidos entre o início da
década de 90 até 2010, os chamados centennials, e que por nascerem no mundo da
Internet muitas vezes tem problemas em lidar com riscos da superexposição.

Por outro lado, têm crescido os
incidentes, fraudes e crimes decorrentes da exposição feita pelos próprios
pais, de imagens, vídeos ou mesmo comentários sobre seus filhos. Isso, a
geração Y, nascidos entre o inicio da década de 70 e final da década de 80, ou
mesmo os X, nascidos anteriormente a este período, que viveram parte da vida em
um mundo mais off-line, imersos agora no mundo digital, perdem as rédeas quando
o assunto é publicar, postar, compartilhar sobre seus filhos. Existe um grande
risco nesta postura impensada.

Compartilhar dados sobre filhos
em redes sociais resulta em um registro indelével. Segundo pesquisa de 2014 da
AVG, 81% dos pais ouvidos em dez países publicaram fotos dos filhos na
internet. No Brasil, o porcentual sobe para 94%.

O que poucos sabem é que metade
das fotografias em sites de pedofilia vieram das mídias sociais. Sites desta
natureza não estampam apenas nudez, mas pessoas fazendo coisas normais. Os pais
são responsáveis pelos filhos e devem zelar pela privacidade e imagem dos mesmos,
inclusive no mundo digital.  

Já tivemos casos em que a imagem
de uma criança foi associada a um meme que viralizou com milhões de comentários,
ofensivos em nítido cyberbulling. Casos de sequestros por conta de fotos e
comentários. Casos de assédios (grooming) diante da postagem de fotos. Em outro
caso, a foto em alta resolução foi usada em campanhas publicitárias, sem o
consentimento dos pais. Em casos ainda mais graves, foi feito o morphing, ou seja, editaram a imagem e
colocaram o rosto da criança em um corpo nu ou em situação de prática sexual,
com compartilhamentos em grupos de pornografia.

Importa dizer que o Estatuto da
Criança e do Adolescente, no artigo 241-c, pune o ato de simular a participação
de criança ou adolescente em cena de sexo explícito ou pornográfica por meio de
adulteração, montagem ou modificação de fotografia, vídeo ou qualquer outra
forma de representação visual, com pena de reclusão de até 3 anos.

Assim, a recomendação é jamais
postar fotos que identifiquem a rotina do filho ou mesmo com pouca roupa. Muito
cuidado ao expor a intimidade do seu filho, pois hoje ele pode não entender,
mas este conteúdo pode permanecer por tempo indeterminado na rede, sendo que
pode causar grandes constrangimentos no futuro. Será que seu filho, no futuro,
pode reclamar da superexposição que trouxe a ele? Pode ser que jamais retire
este conteúdo do ar.

Se realmente tiver que publicar,
avalie as configurações de privacidade, tenha e mente como a rede social trata
as fotos postadas, lendo os termos de uso. Evite postar fotos de crianças com
biquíni, roupas intimas ou nuas ou mesmo comentários sobre a rotina e hábitos
da criança, pois constituem grande perigo e insumos importantes nas mãos de
pessoas mal-intencionadas. Nunca se esqueça, o importante mesmo é postar o que
contribua para a autoestima da criança. Faça sempre a seguinte reflexão: Para
que, como e para quem postar?

Assim, certamente evitará danos imensuráveis ao
futuro destas crianças.

 

(*) José
Antonio Milagre é advogado especializado em Direito Digital, presidente da
Comissão de Direito Digital OAB/SP Regional da Lapa e presidente da Associação
Brasileira de Educação Digital (ABRAEDI)

 

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