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O que esperar do mercado de fintechs em 2019?

Cenário é promissor para atuação das fintechs brasileiras. Reunimos as expectativas e opiniões de executivos de diferentes segmentos para refletir as tendências para este ano

Da Redação

18/01/2019 às 16h44

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Desde o surgimento das fintechs, o mercado financeiro nunca mais foi o mesmo. Atualmente, existem milhares de empresas de tecnologia que atuam neste segmento com o intuito de ampliar o acesso aos produtos e serviços, assim como promover mais facilidade e comodidade nos processos. 

Para 2019, a expectativa de melhora da economia brasileira e as últimas iniciativas do Banco Central que incentivam essa prática - e que devem ter continuidade neste ano - apontam para um cenário ainda mais promissor para a atuação das fintechs. Reunimos, abaixo, as opiniões de executivos do mercado sobre as tendências e expectativas para o ano que está começando. 

Rodrigo Marques, CEO do Atlas Quantum

“O ano de 2019 começa com clima de otimismo para o mercado financeiro no Brasil. Para as fintechs, isso é uma excelente notícia: acredito que isso se refletirá em mais investimento nas startups e em um aumento do número de investidores no setor. Acredito que a principal tendência em 2019 deva ser o aumento de credibilidade para as criptomoedas, especialmente o Bitcoin. Devem surgir mais opções para utilização de cripto como forma de pagamento, aumento de volume negociado entre investidores e instituições financeiras devem criar novas formas para tornar criptomoedas ainda mais acessíveis. Outra expectativa é a de que o  Brasil se torne o líder global em número de investidores em criptomoedas, o que que deverá impulsionar ainda mais o crescimento das fintechs nacionais”. 

Daniel Abbud, CMO do Beblue e Daniel Gava, Cofundador do Beblue

"Os próximos anos serão eletrizantes para o mercado de fintechs, principalmente no Brasil, por uma combinação de alguns fatores: incentivo com a regulamentação pelo Banco Central no setor de pagamentos e open banking, difusão em massa dos smartphones/ tecnologia e grande margem praticada pelos grandes bancos de varejo devido a sua alta concentração. A abertura do mercado da indústria de adquirência - maquininhas de cartão - nos últimos anos deu vazão ao surgimento de, pelo menos, uma dezena de novos players, dos quais dois, inclusive, abriram capital na Bolsa de Valores americana somente em 2018 (Stone e Pagseguro). Sem dúvida, com o advento de novas tecnologias e incentivo ao mercado que hoje está concentrado em 5 grandes bancos de varejo no Brasil, dará espaço a uma realidade muito mais pulverizada, com custos menores e com fortes ganhos para a sociedade que em muitos lugares ainda é mal servida por bancos ou mesmo desbancarizada. Isso é apenas o início de um grande movimento que certamente não terá volta.”

Marcelo França, CEO do Celcoin

“Em 2019 acreditamos que o varejo deverá avançar na oferta de serviços financeiros, como crédito e contas digitais; os adquirentes implantarão cada vez mais funcionalidades de banking para seus clientes permitindo que eles possam pagar contas, fazer saques e transferências; para suprir a demanda de novos players por serviços financeiros surgirão cada vez mais soluções de Open Banking e plataformas white label; veremos o nascimento dos pagamentos instantâneos a partir dos requisitos definidos pelo BACEN; e teremos o aumento de parcerias entre Bancos e fintechs para aproveitar sinergias e melhorar a experiência dos usuários.”

Rafael Pereira, CEO da Rebel 

“A expectativa é de um ambiente macroeconômico com tendência de melhora contínua, o que leva a manutenção dos juros no patamar atual e, possivelmente, uma melhora em renda e emprego. Com isso, devemos ver um aumento no investimento em fintechs por investidores locais. Há, ainda, uma tendência grande da continuidade dos reguladores continuarem incentivando maior competição no sistema financeiro e veremos pontos como o open banking e pagamentos instantâneos evoluindo rapidamente. Em resumo, temos um ambiente extremamente favorável às fintechs de forma geral.” 

Carlos Netto, CEO da Matera

“No meu ponto de vista, a grande tendência neste mercado é que empresas que já possuem distribuições bem montadas criem suas próprias fintechs, aumentando a receita sobre as transações que eles próprios dão origem. Neste cenário, temos empresas com milhares de pontos de venda com os quais se relacionam toda semana. Se eles montam uma rede própria de contas digitais, direcionando todas vendas do ponto de venda para a própria conta digital, é possível reduzir a inadimplência, os custos de cobrança e, ainda, oferecer crédito muito mais barato. A "Fintech Embarcada", que funciona dentro de outra empresa (como nasceu o Mercado Pago e PayPal) deve ser uma grande tendência nos varejistas, distribuidores e todos outros grandes grupos econômicos que controlam muitas transações”. 

Ramires B. Paiva, CEO e cofundador da Creditoo

“As fintechs de crédito esperam crescimento acelerado para o ano de 2019. Nos últimos três anos, o volume de operações de crédito transacionados pelas principais fintechs de crédito passou de R$ 231 milhões em 2016 para R$ 1,604 bilhão em 2018, crescendo sete vezes nesse período. Este volume operado pelas fintechs ainda é bem imaterial (0,15% - data-base nov/2018), considerando o volume total de operações de crédito de um mercado de aproximadamente R$ 904 bilhões, de acordo com dados do Banco Central do Brasil. Dentro deste cenário das fintechs de crédito está a Creditoo, plataforma 100% online de empréstimo consignado para funcionários de empresas privadas. A Creditoo planeja conceder cerca de R$ 200 milhões em empréstimos consignados até o final de 2019, crescendo dez vezes neste ano”. 

Raphael Swierczynski, CEO da Ciclic

“Tenho certeza de que as fintechs e insurtechs vieram para ficar e para mudar o mercado. Sem dúvidas essas empresas tem muito mais clara a visão de ter o cliente no centro de todas as discussões e decisões que tomam. Além de terem uma capacidade de mudança e inovação muito maior do que as empresas tradicionais, pois não estão amarradas em sistemas arcaicos, e nem tampouco em processos lentos e burocráticos. Neste ano de 2019 acredito que novas fintechs e insurtechs surgirão, e que outras que já existem irão se destacar no mercado, trazendo disrupção e mudanças nos mais diversos âmbitos, principalmente em produtos e experiência do cliente. Isso sem dúvida trará benefícios para vida de todos”. 

Rodrigo Dantas, CEO da Vindi

“Acredito que em 2019 teremos grandes surpresas no mercado de pagamentos. Temos observado um aumento de empresas oferecendo o pagamento fora das maquininhas, com o sistema de pagamento via QR Code integrado ao gerenciador de frente de caixa, uma revolução no varejo que pode ser um risco para os bancos e as adquirentes. Pagamentos recorrentes irão atingir cerca de R$ 1,8 trilhões até 2021, segundo a Research and Markets. Isso quer dizer que o mercado ainda vai estar muito maduro e em franco crescimento exponencial para 2019. Além disso, é esperado que as empresas comecem a olhar cada vez mais para estratégias de pagamento, prova disso é o fato da Netflix ter retirado a possibilidade de assinatura através de aplicativos como Apple Pay, focando seu recebimento em gateway e checkout transparente.” 

 

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