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O que as novas ofertas de emprego da Apple podem nos dizer sobre novos produtos

Apple projeta que, nos próximos três anos, excederá 1.000 funcionários em três cidades: Seattle, San Diego e Culver City

Dan Moren, Macworld (EUA)

17/12/2018 às 15h52

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A Apple é conhecida por sua abordagem centralizada, não apenas em termos de hardware e software, mas também em geografia. A empresa já havia se esforçado para localizar o maior número possível de funcionários em sua cidade natal, Cupertino, em grande parte por acreditar que seus funcionários trabalham melhor em equipes fisicamente próximas.

Mas na última semana, a empresa anunciou que expandiria sua presença em várias cidades dos EUA fora da Bay Area, mais notavelmente em Austin, Texas, onde já tem sua maior presença fora de Cupertino, mas também em alguns outros locais importantes. Em particular, a Apple projeta que, nos próximos três anos, excederá 1.000 funcionários em três cidades: Seattle, San Diego e Culver City.

Dado o tamanho e a lucratividade dos negócios da Apple, não é surpresa que ela queira contratar de forma agressiva, mas isso parece ir contra a ética anterior da empresa de reunir seus funcionários em um único lugar. Portanto, deve haver algo significativo sobre esses locais específicos escolhidos, algo que a empresa pode ter neles e que não pode necessariamente entrar em Cupertino. Algo como atrair talentos em certos campos-chave.

Ao fazer uma rápida pesquisa pelas listas de empregos da empresa para esses locais, é possível tentar prever onde a Apple estará apostando nos próximos anos.

Wireless em San Diego

San Diego tem um clima inegavelmente bom e uma ótima cena de cervejas artesanais, mas nenhuma delas está entre as principais razões para a expansão da Apple no ensolarado sul da Califórnia. Mas não é preciso ir tão fundo para analisar a lógica, especialmente quando considera as notícias do início desta semana que a Apple, que está envolvida em uma discussão desagradável com a antiga fornecedora Qualcomm, estava procurando construir seus próprios chips de rede celular.

Por acaso, San Diego é a sede mundial da Qualcomm. Então, se alguém quiser atrair pessoal com experiência no ramo de conectividade celular, parece um bom lugar para estar. E, de fato, a Apple já publicou vários empregos em San Diego para posições em sua “crescente equipe de desenvolvimento de silício wireless”.

Cada dispositivo da Apple requer algum tipo de silício sem fio, seja celular, Wi-Fi, Bluetooth, NFC ou qualquer outra coisa. O chip W1 embutido nos fones de ouvido AirPods e Beats é uma indicação clara de que a Apple gostaria de levar o estado da tecnologia sem fio para a frente, e San Diego parece ser o lugar para isso.

Siri em Seattle

Lar de gigantes da tecnologia rival, como a Amazon e a Microsoft, Seattle parece um local simples onde a Apple gostaria de expandir sua força de trabalho. Há tantas pessoas trabalhando em tantos campos técnicos diferentes na região que é complicado isolar qualquer coisa específica na qual a empresa está se concentrando.

Mas, depois de dar uma olhada nas vagas de emprego, fica claro que uma das principais áreas que a empresa está construindo lá é a Siri. A empresa descreve “uma nova equipe de engenharia da Siri baseada em Seattle” e está contratando não apenas cientistas de dados e cientistas de aprendizado de máquina, mas também vários engenheiros de software para trabalhar na integração de softwares de terceiros com sua estrutura SiriKit.

Até agora, SiriKit tem sido bastante decepcionante, limitado apenas a um punhado de aplicativos que oferecem serviços específicos, como listas de tarefas, chamadas de VoIP, pagamentos e alguns outros. Mas com a adição de Siri Shortcuts no iOS 12 este ano, parece claro que a Siri está posicionada para se tornar ainda mais poderosa em relação a aplicativos de terceiros, e Seattle é onde muito desse esforço parece que vai acontecer.

Conteúdo em Culver City

A terceira maior localização da Apple em seu comunicado de imprensa foi Culver City, e não é preciso alguém com experiência em showbiz para descobrir o porquê. A incursão da empresa no streaming de vídeo é o segredo mais mal guardado nos setores de entretenimento e tecnologia, e é óbvio que a Apple espera que seja um grande negócio.

Há alguns empregos em conteúdo de vídeo listados no site da Apple para Culver City, mas no geral as listagens da cidade parecem estar relacionadas aos negócios de serviços em rápido crescimento, incluindo divisões como a Apple Music e relações com os parceiros de streaming de vídeo da empresa.

Com o objetivo da Apple de aumentar sua receita de Serviços para quase US$ 50 bilhões até 2020, é uma boa aposta que Culver City seja um dos centros desse negócio. E com o serviço de streaming de vídeo da empresa, que deverá ser lançado no próximo ano, a proximidade de Hollywood não é coincidência.

 

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