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Musk diz que não respeita SEC e que ninguém supervisiona seus posts no Twitter

Afirmações do CEO da Tesla aconteceram em entrevista ao programa 60 Minutes, da TV americana. Executivo e empresa foram multados pelo órgão em US$40 milhões

Da Redação

10/12/2018 às 11h11

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O CEO da Tesla, Elon Musk, afirmou neste final de semana, em entrevista ao programa “60 Minutes”, da rede americana CBS News, que ninguém na empresa supervisiona os seus posts no Twitter, mesmo após alguns tuítes do executivo terem rendido um processo e uma multa de 40 milhões de dólares.

Na entrevista, Musk também afirmou que não respeita a SEC (Comissão de Valores Mobiliários dos EUA), que entrou com uma ação contra o executivo em setembro depois que ele fez posts no Twitter indicando uma possível saída da Tesla da bolsa de valores - além da multa, o acordo com a SEC também determinou que o executivo deixasse de ser presidente do conselho da fabricante – onde continua ocupando o cargo de CEO. 

Durante sua participação no “60 Minutes”, Musk foi questionado pela apresentadora Lesley Stahl se já tinha tido algum tuíte censurado e se alguém lia seus posts antes de publicá-los após o acordo com a SEC, ao que ele respondeu não. Ao ser perguntado se os seus tuítes não eram supervisionados, o executivo afirmou o seguinte: “Os únicos tuítes que teriam de ser, digamos, revisados, seriam se um tuíte tivesse uma probabilidade de causar um movimento nas ações”.

Em seguida, Stahl questionou como seria possível saber se os seus tuítes poderiam mexer com o mercado se ninguém os estava lendo antes da publicação, ao que Musk respondeu: “Bem, acho que podemos cometer alguns erros. Quem sabe?”.

Em outro momento, o bilionário disse que não respeita a SEC: “Quero deixar claro. Eu não respeito a SEC. Eu não os respeito”, para depois explicar que está cumprindo o acordo com o órgão porque “respeita o sistema de justiça”.

Vale lembrar que anteriormente Musk tinha afirmado que os tuítes em questão, que causaram o processo da SEC e a multa de 40 milhões de dólares tinham valido a pena.

Entenda o caso 

A história sobre a possível saída da Tesla da bolsa de valores teve início em 7 de agosto, quando Musk publicou em seu perfil no Twitter que “estava considerando fechar o capital da Tesla por 420 dólares (a ação)” – o que fez com que fosse aberta uma investigação sobre a companhia por parte do órgão regulador SEC (Securities and Exchange Comission) nos EUA.

Depois disso, o CEO fez alguns posts no blog da empresa para defender essa mudança operacional - veja aqui (texto de 7 de agosto) e aqui (texto de 13 de agosto) a íntegra dos dois posts. No entanto, a recepção não foi das melhores dentro da companhia.

Isso porque o conselho de diretores da Tesla chegou a formar um comitê especial para barrar qualquer proposta de Musk neste sentido – o comitê seria formado por Brad BussRobyn Denholm e Linda Johnson Rice, conforme reportagem da CNET.

Por conta da recepção negativa, Musk desistiu da ideia no final de agosto, quando anunciou que o capital da companhia continuará aberto. “Apesar de a maioria dos acionistas com quem falei terem dito que continuariam com a Tesla caso fechássemos o capital, o sentimento, em poucas palavras, era ‘por favor, não faça isso”, afirmou Musk em um post intitulado “Staying public”, publicado no blog da Tesla.

No texto, o executivo também destacou que tinha ficado claro que o processo para fechar o capital da Tesla seria ainda mais demorado e distrativo do que o previsto inicialmente, o que contribuiu para a decisão de manter o capital aberto.

“Isso é um problema porque devemos absolutamente ficar focados em construir o Model 3 e nos tornar lucrativos. Não iremos alcançar a nossa missão de avançar com a energia sustentável a não ser que também sejamos financeiramente sustentáveis”, explica Musk no texto.

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