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Microsoft e Yahoo: sem fusão, qual é o futuro das empresas?

Miami - Empresas vão ter que cumprir promessas, responder questões, rever e ajustar planos e lidar com novos e velhos desafios, dizem analistas.

IDG News Service/EUA

05/05/2008 às 9h48

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A investida de três meses da Microsoft sobre o Yahoo terminou sem sucesso, mas mudou as duas empresas para sempre e não se espera que nenhum das duas volte para o rumo que seguia antes.

A Microsoft e o Yahoo vão precisar cumprir promessas, responder questões, reavaliar e ajustar planos e lidar com os desafios que cresceram com a tentativa de aquisição.

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“A principal coisa que as empresas terão que articular muito claramente são as estratégias para seguir em frente”, disse a analista do Forrester Research, Charlene Li.

O Yahoo tem mais a provar e a entregar, e enfrenta o futuro mais incerto. “Para o Yahoo, é uma situação do tipo ‘cuidado com o que você deseja’”, disse o analista Greg Sterling, da Sterling Market Intelligence.

“Os diretores e a gestão do Yahoo indicaram fortemente que queriam continuar independentes e agora têm essa chance”, disse ele.

A principal prioridade do Yahoo deve ser monitorar as ações, que tiveram uma valorização após a possibilidade de aquisição e podem enfrentar uma reação negativa do mercado agora.

Se as ações caírem e não se recuperarem, o Yahoo pode voltar a se tornar alvo de aquisições, desta vez em termos menos interessantes para a empresa.
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Mesmo se o preço se mantiver, é possível que o Yahoo enfrente um onda de processos de investidores insatisfeitos com a rejeição à Microsoft.

Além disso, o Yahoo terá que se preparar para cumprir todos os planos ambiciosos e promessas que fez nos últimos três meses e provar que pode mudar o rumo do barco como empresa independente.

O analista financeiro Clayton Moran, do Stanford Group Company, é pessimista quanto à reação de Wall Street e sobre as chances da empresa de melhorar seus resultados financeiros.

“O Yahoo perdeu a oportunidade. Esperamos que as ações caiam significativamente”, disse ele.

Moran não acredita que nos próximos 12 a 18 meses as ações do Yahoo vão chegar aos 37 dólares que o Yahoo queria que a Microsoft oferecesse pelos papéis na negociação.

“A melhor alternativa do Yahoo era a venda para a Microsoft. Como empresa independente, o Yahoo perdeu mercado e lutou para manter fluxo de caixa. Suspeitamos que estas tendências se manterão intactas no futuro”, avaliou Moran.

Além dos desafios financeiros, o Yahoo terá que dar continuidade aos muitos projetos que começou, como a nova plataforma de gerenciamento de anúncios AMP e a estratégia de abertura de seus serviços para o desenvolvimento de aplicativos por terceiros, batizada de Yahoo Open Strategy (YOS).

“O ônus do Yahoo é explicar porque vale 37 dólares por ação e articular muito rápido sua estratégia, agora que tem a chance”, disse Li.
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Também não está claro quão válido é para o Yahoo terceirizar uma parte significativa da rede de anúncios em buscas para o Google, acordo que pode ser anunciado na próxima semana, segundo fontes ligadas ao Yahoo.

“Embora o Yahoo possa fechar um acordo em buscas com o Google para satisfazer os acionistas, com um fluxo de caixa maior, acreditamos que este acordo deva sofrer forte pressão antitruste. Além disso, pode dar controle das buscas ao Google”, disse Moran.

Nas próximas semanas, Marc Edelman, professor de legislação da New York Law School, afirma que a Microsoft deverá aumentar sua pressão para que o Departamento de Justiça investigue a parceria de propaganda entre o Yahoo e o Google.

"Caso a Justiça não seja vigilante, eu não ficaria chocado em ver a Microsoft entrar com um processo", acrescentou.

Li não está convencida que os ganhos financeiros em curto prazo resultantes do acordo justifiquem a vantagem em longo prazo de integrar as buscas na estratégia global da empresa. “Será interessante de ver”, disse ela.

O Yahoo também não terá muito tempo para provar que pode sobreviver sozinho, ou será oprimido por muitas companhias, incluindo a própria Microsoft, afirmou Dana Gardner, analista da Interarbor Solutions.
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A empresa praticamente se reinventou como um fenômeno cultural e tornou urgente que se desenvolvesse como uma empresa de internet com os melhores parceiros, como conteúdo, multimídia, anúncios e comunicações, diz.

A Microsoft também tem seus desafios pela frente. Para começar, tem que explicar como pretende crescer o negócio de internet agora que o acordo fracassou, depois de enfatizar as muitas razões pelas quais precisava do Yahoo.

Esta seria uma boa hora para a empresa mudar de rumo e parar de tentar alcançar o Google em anúncios em buscas. “Esse jogo já acabou e o Google ganhou”, argumentou Li.

No entanto, ao unificar anúncios gráficos e as buscas em uma única plataforma, a  Microsoft, assim como o Yahoo, poderiam competir de forma mais eficaz contra o Google, cuja área de anúncios gráficos é muito modesta.

A sinergia entre anúncios gráficos e buscas pode ser mais eficaz e valiosa para os anunciantes, disse Li. Embora o Google diga que vai evoluir em anúncios gráficos, agora que tem o DoubleClick, Li não tem certeza disso.

“O Google não tem um bom feeling para o mercado de anúncios em imagem, que é composto por uma antiga rede de anúncios e pessoas de mídia de décadas atrás”, avalia. “O Yahoo e a Microsoft conquistaram seu espaço na década passada”.

Já que é óbvio que tem dinheiro, a Microsoft deve comprar outras empresas que possam trazer os serviços e produtos inovadores que ela obteria com o Yahoo, disse o analista do Gartner, Allen Weiner. “Espero que a Microsoft seja mais agressiva nas compras”, disse ele.
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Em um relatório de abril, Moran e seu colega Kevin Buttigieg listaram empresas que fariam sentido para a Microsoft comprar caso o negócio com o Yahoo falhasse. Os nomes incluem AOL (Time Warner), Fox Interactive, que é dona do MySpace (News Corp), ValueClick, CNet e Facebook.

De sua parte, Weiner acredita que podemos aguardar que a Microsoft compre uma empresa de vídeo, como a Brightcove e a ExtendMedia, e outra empresa com forte presença online, como o Twitter.

Seja como for, o analista acredita que a empresa tem que agir rápido para não ficar mal aos olhos do público. “Acho que a Microsoft tem que fazer algo rápido para mostrar ao mundo que a perda do Yahoo não foi uma derrota”, disse Weiner.

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