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Jovem, mulher e empreendedora em TI. Equação desafiante?
Jovem, mulher e empreendedora em TI. Equação desafiante?
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Jovem, mulher e empreendedora em TI. Equação desafiante?

CEO de startups milionárias, Camila Achutti venceu barreiras, lutou pelo seu espaço e surpreendeu em uma área ainda de domínio masculino

Déborah Oliveira

05/03/2018 às 16h08

camila acchuti.png
Foto:

Em uma rápida conversa de 30 minutos com Camila Achutti, é possível entender o motivo pelo qual ela é bem-sucedida já aos 26 anos de idade. Cofundadora de duas startups milionárias, a consultoria em inovação Ponte 21 e a plataforma de educação em tecnologia Mastertech, Camila é inteligente, fala com facilidade e propriedade sobre diversos temas relacionados à tecnologia da informação e tem um grande carisma.

Formada em Ciências da Computação pela Universidade de São Paulo (USP), desde criança ela teve contato com tecnologia da informação. Seu pai programava e era uma referência profissional. “Meu pai falava códigos ao telefone. Na época, não achava essa prática única e diferente, mas depois, quando entrei na área, vi que não era algo comum”, lembra.

Ingressou na faculdade sem saber programar e foi a única mulher da turma a se formar. “Em razão disso, eu praticamente andava com um holofote na cabeça para o bem e para o mal. Todas as perguntas dos professores eram para mim. Se eu faltava, todos notavam. Tirei vantagem disso, me fortaleci, mas para muitas é uma porta para desistir. O fardo é muito pesado”, comenta. Para cada piada sem graça dos colegas homens, tinha uma resposta na ponta da língua, como o fato de a programação só ser possível por causa de uma mulher, a Ada Lovelace.

Virada para o empreendedorismo

Já na universidade, Camila percebeu sua inclinação para empreender e focar em educação, mas não acreditava que essa era uma carreira possível. “Sempre enxerguei como um projeto paralelo. Comecei a ensinar tecnologia muito cedo quando tentava traduzir meus conhecimentos no meu blog Mulheres na Computação”, conta. 

Ao terminar a graduação, ela foi para o Vale do Silício, nos Estados Unidos, estagiar nada mais, nada menos, do que na empresa mais disputada do mercado: o Google. Apesar do aprendizado, Camila relata que sentia que todos os problemas estavam resolvidos ali. 

“Eu olhava a minha volta e vivia numa bolha achando tudo aquilo normal. As pessoas falavam que eu era louca, mas eu presava voltar para o Brasil.” No fundo, aquela jornada tinha sido uma verdadeira prova de que conseguiria chegar onde poucos chegaram.

Quando voltou, deparou-se com o desafio de todos os empreendedores. O dinheiro para abrir um negócio. “Comecei a trabalhar em uma ONG de educação e em uma universidade. No paralelo, voltei para o mestrado em educação de tecnologia em uma tentativa de entender como resolveria a questão da grana e adquirir conhecimento.”

Surge uma nova Camila

No começo do negócio, Camila revela que o romantismo das startups de pensar em produto e escala deu lugar ao status “lutar para sobreviver”. “Fiz muita consultoria e desenvolvimento de software para reunir dinheiro. Eu precisava fazer caixa”, comenta ela, ressaltando o fato de que nunca levantou dinheiro com fundos em seus negócios.

Logo Camila se deparou com outro desafio, o de contratar talentos especializados. “Foi quando o ciclo fechou e eu e meu sócio entendemos que, de fato, tínhamos de formar as pessoas”, aponta. 

Ela afirma que nunca pensou em desistir, mas revela que empreender é uma gangorra. “As pessoas veem fotos no Instagram e pensam que a vida é maravilhosa, que estou rica e só viajo. Mas é uma jornada muito desafiadora. Nunca cheguei ao ponto de desistir, mas temos altos e baixos e no universo de startups isso pode acontecer três vezes no mesmo dia.”

Pelas mulheres

Camila é bastante conhecida no mercado por defender um universo de tecnologia verdadeiramente equilibrado entre mulheres e homens. Em post recente em seu LinkedIn, inclusive, ela chegou a falar sobre o fato de mídias terem comemorado o crescimento de participantes mulheres na Campus Party. Sua defesa, contudo, é de que o foco do evento mudou, atraindo outro tipo de público.

Na visão da empreendedora, um componente cultural impede o ingresso de mais mulheres na TI. “Há um forte estereótipo de que quem trabalha em tecnologia gosta de matemática e é geek. Precisamos quebrar esse paradigma. Estamos caminhando, mas mudar cultura leva tempo”, aponta.  

Para ela, nos curto e médio prazos há uma grande necessidade de construir um pipeline de talentos. “É o que fazemos na Mastertech”, revela. “Temos de formar mais gente na base”, completou.

Efeito Mastertech

A Mastertech, que se define como uma plataforma para desenvolvimento de habilidades do século 21, já capacitou mais de 25 mil pessoas em diversas modalidades de cursos. Grande parte das interessadas é mulher. Segundo Camila, elas estão presentes em 61% dos programas de treinamento, número que traz muito orgulho para ela. “Fico metida, porque nem Stanford (nos Estados Unidos) tem esse número”, brinca. 

A plataforma, inclusive, trabalha com política afirmativa para que cada vez mais mulheres ingressem na TI. No ano passado, a Mastertech firmou parceria com o Facebook para fazer parte do Estação Hack, espaço em São Paulo com cursos de capacitação em tecnologia e negócios, e das 1,2 mil bolsas da Mastertech, metade é para mulheres.

Legado

Com tantos trabalhos inspiradores em curso, qual legado Camila gostaria de deixar para futuras gerações e mulheres em TI? “Adoraria matar o blog, porque isso significa que não é mais preciso falar de mulheres na TI, pois essa barreira já terá sido superada. Adoraria ver o Brasil como potência de tecnologia, transformando a economia”, revela.

Para as mulheres que buscam uma posição em tecnologia, Camila aconselha: “Perca o medo. Você pode aprender e ganhar confiança. É fácil? Não. Mas é como o músculo, que precisa ser treinado”.

 

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