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Facebook completa 15 anos entre altos e baixos. O que mais podemos esperar da rede social?

Rede social não dá sinais de desaceleração. Revisitamos os principais momentos da plataforma e refletimos o que podemos esperar para os próximos anos

Carla Matsu

04/02/2019 às 19h08

Foto: Shutterstock

Há exatos 15 anos o Facebook era lançado ao mundo. Se em 2004, quando Mark Zuckerberg, com seus 19 anos, disponibilizava do seu dormitório em Harvard a rede social Thefacebook.com a apenas universitários do campus, atualmente a plataforma assume para si o título de rede social mais popular do mundo, com mais de 2,3 bilhões de usuários ativos mensalmente.

Em uma década e meia, o Facebook mudou, para bem ou para o mal, a forma como navegamos na internet, como os negócios fazem dinheiro, como nos influenciamos e como estabelecemos nossas interações das mais banais as mais profundas. Entretanto, nos últimos anos, em meio a escândalos de privacidade, a rede social tem se visto sob a mira dos holofotes da imprensa, do escrutínio do governo e da desconfiança dos usuários.

Mas afinal, como o Facebook se tornou a ferramenta mais poderosa de comunicação do mundo? A empresa passou por altos e baixos, adquiriu outras companhias e foi acusada de criar um monopólio de aplicativos. Apesar dos escândalos envolvendo a Cambridge Analytica e outras falhas de segurança e privacidade, a plataforma não dá sinais de perder o protagonismo. Abaixo, revisitamos alguns dos principais momentos da rede social e refletimos com a advogada Flávia Lefèvre Guimarães, associada do Intervozes - Coletivo Brasil de Comunicação Social e conselheira do Comitê Gestor da Internet, o que a conscientização a respeito da privacidade, leis gerais de proteção de dados e cibersegurança podem significar para o futuro do Facebook.

O primeiro processo
O Thefacebook.com tinha apenas sete meses de idade quando os gêmeos Cameron e Tyler Winklevoos processaram Zuckerberg por quebra de contrato. No processo, uma batalha que durou anos e foi eternizada no filme The Social Network, os três alegavam que Zuckerberg teria roubado a ideia do que deveria ser a rede social para estudantes de Harvard, então chamada HarvardConnection. O processo encerrou em um acordo entre as partes.

A escalada
Quatro dias após ser lançado em 2004, o Facebook tinha apenas 650 usuários. Nove meses depois, a plataforma já reunia 1 milhão deles. Em 2012, Mark Zuckerberg anunciava a marca de 1 bilhão de usuários ativos mensalmente e, em 2017, um feito inédito no mercado: mais de 2 bilhões de pessoas no mundo estavam em uma mesma rede social. "Estamos fazendo progresso conectando o mundo, e agora vamos aproximar o mundo", disse Zuckerberg na ocasião do anúncio. Na última semana, em seu balanço do último trimestre, a companhia informou que 2,32 bilhões de pessoas no mundo possuem uma conta ativa na rede. Um dos grandes responsáveis para o crescimento do Facebook foi o lançamento de uma versão do app para o iPhone, em 2007. Em pouco tempo, o Facebook se tornou um dos apps móveis mais populares para o telefone da Apple e, claro, permitiu usuários acessarem a ferramenta de qualquer lugar a qualquer momento.

Anúncios personalizados
Em novembro de 2007, o Facebook inaugurou o Facebook Ads e Pages para marcas. Era o início de uma mudança no modelo de publicações de anúncios que afetou irreversivelmente plataformas tradicionais. Ao convidar marcas a terem uma página própria no Facebook e amplificá-la com anúncios, o Facebook criava não apenas um modelo de negócios rentável para si, mas mudava a forma como se comprava anúncio e veiculava. Afinal, a partir de então, anunciantes tinham no Facebook uma plataforma para direcionar publicidade personalizada usando dados que o Facebook coletou de seus usuários nos últimos anos.

Aquisições importantes
Em 2018, quando passou por uma longa sabatina no Senado americano, Mark Zuckerberg foi questionado se o Facebook não teria levantado para si um monopólio de aplicativos. Era 2012 quando o Facebook comprou o Instagram por US$ 1 bilhão. Dois anos depois, era a vez da companhia adquirir o WhatsApp por US$ 19 bilhões e, no mesmo ano, a Oculus VR por US$ 2 bilhões. Vale lembrar que o Facebook tentou comprar o Snapchat em 2013, por US$ 3 bilhões, uma oferta recusada pela startup que popularizou os filtros de realidade aumentada. Em 2016, surgia o Instagram Stories com recursos claramente "inspirados" na concorrente. Hoje, o Stories do Instagram já conta com o dobro de usuários do Snap.

O botão 'Curtir'
Nem sempre o botão com um polegar otimista estava lá no Facebook para mostrar sua aprovação em relação aos seus amigos. A primeira vez que a ferramenta foi introduzida foi 2009 e, para muitos especialistas, foi o que mudou as nossas expectativas e ansiedades em relação à internet. Teria o botão de curtir efeito para validar ou invalidar nossas inseguranças e nos fazer viciar na plataforma? Já as reações, os emojis que aparecem para cada publicação, foram lançados em 2016.

Internet.org
Em 2013, o Facebook lançou o programa Internet.oorg, uma iniciativa para levar internet a lugares que têm difícil acesso a ela ou, bem, que não conseguiam ainda ter acesso ao Facebook. O programa recorre a parcerias com operadoras de telefone e até mesmo já testou drones para levar acesso. Algumas organizações reagiram e disseram que o projeto, na verdade, feria o princípio de neutralidade da rede ao fazer do Facebook um guardião do que as pessoas poderiam acessar ou não na internet.

O êxodo de executivos
O ano de 2018 foi marcado por baixas importantes no alto escalão de executivos de empresas de propriedade do Facebook. Kevin Systrom, cofundador do Instagram e seu CTO Mike Krieger, Jan Koum, cofundador do WhatsApp e o cofundador da Oculus, Brendan Iribe, deixaram as companhias naquele ano.

A sabatina de Zuckerberg no senado
Em março de 2018 ano, veio à tona a história de que a consultoria Cambridge Analytica havia usado dados de dezenas de milhares de usuários do Facebook para fins de manipulação política. O que se descobriu foi que um app obteve acesso às informações de 270 mil contas do Facebook por meio do recurso de login. Uma brecha, na época em que o app foi lançado, também dava acesso às informações dos amigos do usuário que optava por fazer o quiz. Em outras palavras, mesmo as pessoas que não tinham concordado em compartilhar suas informações pessoais com o app acabaram tendo os seus dados comprometidos. Foi dessa forma que a Cambridge Analytica conseguiu escalar para 87 milhões de usuários afetados. Como resultado dessa grave falha de privacidade, Zuckerberg passou por um exaustivo depoimento no Senado norte-americano. O executivo foi indagado sobre a forma como lidou com a brecha que deu vantagens à CA e sobre o modelo de negócios da plataforma, que é gratuita para o usuário final. Um dos senadores perguntou: "Como você sustenta um modelo de negócios no qual os usuários não pagam pelo seu serviço?". Zuckerberg respondeu com o óbvio: "Senador, nós rodamos anúncios". O escândalo jogou luz ao modelo de negócios do Facebook e serviu para questionar a privacidade a relação do usuário e sua privacidade.

O futuro da rede social
Na Europa está em vigor, desde o ano passado, a Lei Geral de Proteção de Dados (GDPR) que prevê sanções para empresas que não cumprirem com uma série de regras sobre o uso de dados de seus usuários. O Facebook, ao lado, de outras gigantes do setor, como Google, estão entre aquelas que passam pelo alvo da nova lei. No Brasil, a LGPD, que segue moldes semelhantes à regulamentação europeia, também busca regular o mercado. Entretanto, mesmo em meio a brechas de segurança e a campanhas que se levantaram na ocasião do rompimento com a Cambridge Analytica, o Facebook ainda não passou por um grande êxodo de usuários.

Entre as perspectivas que desafiam o Facebook está a crescente fiscalização. Mas para a advogada Flávia Lefèvre Guimarães, conselheira do Comitê Gestor da Internet, é pouco provável que o Facebook passe por transformações profundas no campo de coleta e tratamento de dados. “Mesmo que [o Facebook] passe a cumprir os requisitos mínimos estabelecidos pelas leis de proteção de dados pessoais – seja a GPDR que já está em vigor, seja a lei brasileira que só entra em vigor em agosto de 2020 -, na medida em que é esse modelo de negócios que tem viabilizado seu predomínio planetário no mercado de redes sociais e seus lucros astronômicos”, avalia.

Na visão da advogada, o Facebook tem pela frente uma série de desafios para manter o crescimento que vem somando nos últimos anos em meio a fiscalização do modelo de negócios baseado em dados.

“Os principais desafios estarão relacionados às iniciativas que vêm sendo estudadas pelos órgãos de defesa da concorrência nos EUA e pela Comunidade Europeia, no sentido de reduzir o poder de monopólio do Facebook, aplicando leis de defesa da concorrência que, se aplicadas, terão como efeito a separação entre bases de dados das empresas que integram o grupo econômico do Facebook, tais como WhatApp, Instagram e Messenger. Iniciativas voltadas para se regular Inteligência Artificial e uso de algoritmos que começam a ser debatidas no fóruns internacionais de governança da Internet na ONU, como União Internacional de Telecomunicações e Fórum de Governança da Internet, com o objetivo de promover a cibersegurança, também implicarão desafios para o Facebook”, projeta Flávia,

Na última semana, o CEO da rede social deu mais detalhes de que a companhia pretende integrar o recurso de mensagens entre Instagram, WhatsApp e Facebook Messenger em apenas uma plataforma. Um plano que, segundo o executivo, ainda é inicial. Na mesma semana, o Facebook deu um suspiro aos acionistas quando anunciou o seu balanço do último trimestre, registrando lucro recorde de US$ 6,9 bilhões, um salto de 61% em relação ao mesmo período anterior.

 

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