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Entrevista: presidente da Mozilla detalha planos para futuro do Firefox
Entrevista: presidente da Mozilla detalha planos para futuro do Firefox
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Entrevista: presidente da Mozilla detalha planos para futuro do Firefox

São Paulo – Mitchell Baker revela as dificuldades enfrentadas pela Mozilla e admite que briga entre Microsoft e Google no setor não é luta para o grupo.

Guilherme Felitti, editor-assistente do IDG Now!

22/04/2009 às 19h09

Foto:

entrevista_mitchel_88No cargo de presidente do conselho da Fundação Mozilla, Mitchell Baker teria, teoricamente, a obrigação de motivar tanto as dezenas de funcionários da organização como os milhares de voluntários que ajudam no desenvolvimento do browser de código aberto Firefox.

Na teoria. Ao abordar as dificuldades enfrentadas pela Mozilla na briga com a Microsoft, Baker admite que a luta contra o Internet Explorer, e até mesmo contra o Chrome, do Google, não é briga para a organização sem fins lucrativos, com uma sinceridade nada corporativista.

A falta de uma fonte de receita além do Google faz com que a Mozilla fique longe dos acordos com integradores - técnica, segundo Baker, que levou o Internet Explorer a dominar o mercado de navegadores, a partir de 1999.

A saída, antevê ela, está em investimentos em distribuições de Linux ou na popularização dos telefones celulares, foco do Fennec, versão móvel do Firefox que, por enquanto, chegou apenas ao N810, da Nokia.

O futuro da Mozilla e do browser que desafiou o IE estão entre os temas desta entrevista que Baker condedeu ao IDG Now! durante sua passagem pelo Brasil para participar do Fórum Econômico Mundial, entre 14 e 16 de abril. Confira a íntegra da entrevista de Mitchell Baker.

Qual é o maior feito atingido pela Mozilla em seus 10 anos?

Nosso maior feito foi ter deixado claro que o browser, na verdade, é importante. Quando começamos, todos tinham certeza de que estávamos errados, já que o sistema operacional era o mais importante em um PC e o navegador era apenas um acessório.

Em termos de mobilização, não fomos os primeiros nem os únicos – veja o OpenOffice, por exemplo. Quem vê de fora pode achar que não é possível a maneira como a Mozilla opera, com tantos voluntários espalhados pelo mundo fazendo o que acham que é o melhor para o produto. Isso parece impossível, mas cá estamos nós.

Muitas pessoas ficam surpresas quando sabem a quantidade de usuários que o Firefox tem. Entre 90 a 95 milhões de pessoas usam o Firefox por dia e fizemos isso só com algumas dezenas de funcionários e centenas de milhares de voluntários.

Algumas funções do Internet Explorer 8 se assemelham às apresentadas pelo Firefox 3 ou pelo Opera 9, como a “barra sensacional” ou a proteção contra phishing. Na sua avaliação,  a Microsoft perdeu o poder de inovar em navegadores?
Eu nunca achei que a Microsoft tem poder de inovação entre navegadores. Durante o desenvolvimento do Netscape (Baker trabalhou na startup Netscape), tínhamos um grande site para beta, onde publicávamos detalhes sobre as novas ferramentas que tínhamos criado.

Quando começávamos a divulgação, a Microsoft lançava um produto com as mesmas funções. Isso aconteceu nas versões 2, 3 e 4 do Internet Explorer.

Essa habilidade de executar e lançar um browser baseado em funções dos rivais já era percebida na década de 90. Acho que eles não são uma grande força de inovação entre navegadores.

O que aconteceu com a Netscape quando a Microsoft lançou o Internet Explorer 4, browser que virou o jogo do setor?
Algumas coisas aconteceram. Primeiro, a Microsoft tinha um produto melhor com o Internet Explorer 4. Temos que dar o crédito a eles. Acho que ninguém discorda disso. Segundo, a Microsoft também fechou acordos com integradores para aproveitar sua dominação [entre sistemas operacionais].

Na Netscape, tínhamos acordos e relações próximas com OEMs e, de repente, todos começaram a se comportar de maneira estranha. Não falavam o que a Microsoft havia dito - ninguém descrevia nada. [Após esta ação da Microsoft] não foi mais possível que (os OEMs) distribuíssem o Netscape nos Estados Unidos.

Combine um produto melhor com esse controle sobre os canais de distribuição e você tem a resposta.
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A Mozilla considera outro modelo financeiro além do pagamento feito pelo Google para que seu sistema de busca seja padrão no navegador?

Não falaria que estamos atrás de um outro modelo financeiro, mas não existe uma resposta perfeita. Nesse momento, a maioria da nossa receita vem do Google.

Queremos achar maneiras de fazer dinheiro sem comprometer nosso produto. O acordo com o Google nos dá liberdade total e não afeta o produto. Ainda não sabemos o que podemos fazer, mas estamos estudando alguns modelos.

Empresas chegam para nós oferecendo dinheiro para definir sua própria página inicial para que o usuário não consiga alterá-la. Não vamos aceitar esse tipo de dinheiro. Sempre falamos “não” para esse tipo de proposta e não vamos fazer isso.

Essa pergunta ainda não tem uma resposta certa, mas, em algum momento, teremos de achar uma fonte de recursos que não seja só o Google. Quando tivermos ideias, vamos reuni-las e propor de uma maneira bem transparente para a comunidade.

Estamos atrás de um protótipo que sirva aos interesses e respeito os valores da comunidade Mozilla. Somos uma empresa sem fins lucrativos e o capital social do desenvolvimento do Firefox precisa sempre ser colocado à frente do interesse econômico de tentar lucrar.

Depois de Canadá, EUA, França, Japão e China, existem planos de trazer um escritório para a América Latina?
Na verdade, queremos ter menos escritórios do que mais. Ter um escritório demanda muito e é bastante confuso. Não queremos nos sentir como uma empresa grande com tantos escritórios. Tudo que queremos é escutar o que as comunidades locais têm a dizer sobre o Firefox. Não é muito divertido ter que gerenciar todos esses escritórios.

Quais são os planos da Mozilla para lançamento do Fennec, o Firefox para telefones celulares, para outros aparelhos além do Nokia N810?
O tablet da Nokia foi o ponto de partida por termos iniciado o desenvolvimento (do Fennec) no gadget. Acho que o próximo será o Windows Mobile. Depois, estamos olhando para outras plataformas tendo em frente os mesmos problemas que outros desenvolvedores têm: muitos aparelhos e plataformas.

Trabalhando com o Windows Mobile, sabemos que atingiremos um grande pedaço dos aparelhos móveis. Como o mercado de softwares para celulares se tornou tão fragmentado, desenvolvedores precisam escolher um e torcer para que aquele seja o escolhido pelo mercado também.

O que queremos realmente é fazer essa dificuldade desaparecer. Se você oferecer aplicações online direto no browser, não vai ter que se preocupar com a plataforma escolhida.

Queremos fazer isso com o Fennec: se você quiser criar um serviço móvel, pode desenvolvê-lo como uma aplicação online e colocá-lo dentro do navegador.

Funcionaria como uma aplicação que temos na versão desktop do Firefox. O usuário não precisa saber, mas o desenvolvedor teria material geral (no formato de APIs) para criar um aplicativo online para rodar dentro do navegador móvel.

O Firefox 3.5 vem sofrendo seguidos atrasos de desenvolvimento. O que está acontecendo?
Algumas coisas aconteceram. A primeira é que não estimamos o tempo corretamente. O segundo é que concluímos que o mais importante não era entregar uma versão o quanto antes.

A primeira ideia era conseguir divulgar o Firefox 3.5 seis meses depois [do lançamento do Firefox 3], já que conseguiríamos adicionar funções bem rapidamente.

No entanto, vimos como a comunidade gostava do Firefox 3, como as atualizações do Firefox 3.5 seriam importantes para eles e decidimos segurar por alguns meses para que conseguíssemos oferecer um pouco mais na próxima versão.

Por exemplo, na próxima versão estamos muito envolvidos em inovações em gráfico, tipo de desenvolvimento que não é trivial.

Não estávamos corretos na previsão de tempo e imaginamos que seria melhor se o produto tivesse um escopo ampliado e demorasse um pouco mais para sair. Estamos trabalhando com o prazo de divulgação da versão final do Firefox 3.5 para julho.
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Quem é mais perigoso para a Mozilla: a Microsoft, com a dominação do Internet Explorer, ou a Apple, com seu recente investimento no Safari?
A Microsoft, de longe e, quase por completo, por seu canal de distribuição entre integradores.

A divulgação da Mozilla se apoia nos seus entusiastas, que instalam cópias do Firefox em máquinas novas para se livrar do que já veio instalado e tentar uma experiência online melhor.

Isso não funciona com a Microsoft. Você compra o Windows e o Internet Explorer já está lá. Isso não tem nada a ver com a qualidade do produto. Não é uma questão de usuários fazendo escolhas, é um problema de distribuição e do sistema operacional.

Por muito tempo, eu achei que integradores pagassem para ter softwares preinstalados em computadores novos, mas é o contrário – os desenvolvedores pagam os OEMs. É um processo excessivamente caro, mais caro do que nós conseguimos custear.

Talvez o Google consiga custear. Eles têm dinheiro suficiente para pagar e podem “enfrentar" a Microsoft. Isso é possível. Mas nós não conseguimos. Talvez um investimento em divulgação em distribuições de Linux ou aparelhos móveis faça mais sentido agora. Não sei como quebrar a cadeia de integradores [montada pela Microsoft para o Internet Explorer].

Uma suposta entrada mais vigorosa do Google nessa briga com a Microsoft pode prejudicar a Mozilla?
Não exatamente, talvez um pouco. Essa é uma luta que não podemos lutar. É possível que o Google consiga competir com a Microsoft. É possível que algumas pessoas que antes usavam o Firefox mudem para o Chrome. Mas muita gente que só tem o Internet Explorer ganharia uma outra opção [com o Chrome].

No lançamento do Internet Explorer 8, a NetApplications afirmou que, mesmo com o crescimento lento do Firefox, o IE não seria desbancado da liderança do setor. Como você vê essa afirmação?
(Silêncio) Esse “funil” entre integradores significa que ele deve estar correto, que a Microsoft continuará no mercado por muito tempo. Eu não sei. O Firefox já passou da marca dos 50% de usuários em países na Europa e na Indonésia.

Eu concordaria que o Internet Explorer vai se manter no mercado durante muito tempo por ser um player muito poderoso. E, infelizmente, [é um navegador que] freia a internet.

O Internet Explorer não é rápido como outros navegadores no mercado, as aplicações online não funcionam bem nele e ainda há problemas com padrões online. A Mozilla chegará, um dia, aos 50% do mercado global de browsers? Não sei.

Mas nosso objetivo não é nos tornarmos a força líder do mercado como foi a do Internet Explorer [nos últimos anos]. Estaríamos incomodados com alguém com tamanha participação, mesmo que fossemos nós.

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