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Blogs crescem em 2008 amparados por downloads e ações na mídia social

São Paulo - Enquanto EUA vê blogueiros mais maduros, blogosfera brasileira cresce amparada em vídeos, downloads e agências de mídia social.

Guilherme Feiltti, editor-assistente do IDG Now!

07/12/2008 às 23h47

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Em uma ponta da corda, o Twitter atrai a atenção do mercado, mas falha em se tornar popular. Na outra, o blog, plataforma "pai" do microblogging, experimentou em 2008 um ano tanto de amadurecimento nos Estados Unidos  como de popularização no Brasil.

Em um setor tradicionalmente carente de estatísticas, o State of Blogosphere 2008, divulgado pelo sistema de busca Technorati em setembro, deu indícios claros de que a chamada blogosfera em inglês aprofunda mudanças no uso da ferramenta já vista como diário pessoal (momento pelo qual o Twitter passa agora).

Entre os principais destaques do estudo (o Idéia 2.0 resumiu suas cinco partes), a comprovação de que os blogueiros que escrevem em inglês o fazem por satisfação pessoal, com quase metade (46%) deles não recorrendo a qualquer tipo de publicidade para tentar ganhar dinheiro.

Há os que ganham, sem dúvida, mas o pequeno grupo que faz do seu blog uma fonte constante de renda mensal (apenas 1% ganha mais que 200 mil dólares anuais), em constraste com a alta taxa daqueles que dizem blogar por satisfação pessoal (75%), coloca em xeque a idéia do blog como grande plataforma monetária.

A maturidade tem relação direta com um perfil de blogueiro mais velho que os adolescentes que, imagina-se, estão por trás do impulso na publicação pessoal digital: 51% dizem já ter tido outros blogs e apenas 16% têm menos de um ano de experiência com blogs.

Ainda que não na maturidade esclarecida pelo Technorati nos Estados Unidos (a começar pela falta de dados do tipo por aqui), os blogs no Brasil tiveram um ano de popularização onde mais da metade dos internautas residenciais brasileiros se transformaram em leitores de blogs.

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Segundo dados do Ibope//NetRatings, o Brasil abriu 2008 com 9,1 milhões de leitores de blogs, o que representava 45,7% dos internautas totais em janeiro.
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O número de leitores atingiu seu ápice em agosto, somando 12,8 milhões,  o equivalente a 52,5% da base residencial de internautas no Brasil. Nos dois meses seguintes, o volume sofreu uma queda, se estabilizando em 11,9 milhões de leitores em outubro.

Ao se levar em conta os assuntos mais populares, José Calazans, analista de mídia do Ibope//NetRatings revela que, assim como em 2007, houve um aumento na procura de blogs que oferecem downloads, categoria de publicação que não se beneficia diretamente da cultura criada ao redor do blogs.

Parte esmagadora do tráfego destes blogs vem tanto pelo Orkut como por buscas no Google, o que se traduz em um fluxo de audiência crescente, mas que não motiva qualquer tipo de discussão, característica básica dos blogs.

Não confunda, porém, popularidade com maturidade.

Ainda que tenha chegado a mais internautas, os assuntos que mais chamam atenção na blogosfera brasileira dão indícios claros de que ainda falta estrada até que haja um uso generalizado da plataforma blog além de assuntos triviais.

Fora os downloads (na sua grande maioria, ilegais), Calazans afirma que humor, conteúdo erótico (capas de revistas masculinas, principalmente), notícias de celebridades, dicas de informática e blogs sobre saúde atraíram a maior parte da atenção dos quase 12 milhões de leitores em 2008.

Na relação, como uma espécie de participação especial, entram também blogs de política, impulsionados pelas eleições municipais no Brasil, algo que também influenciou pesadamente a subcategoria "Eventos Correntes e Notícias Globais" do Ibope//NetRatings, jogando a média de páginas vistas por usuários de 29 para 27 em outubro.
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Da abordagem promocional à enchente de SC
Enquanto a grande parte da audiência ficou marcada pelos interesses triviais descritos acima, 2008 foi um ano em que o lado de cá da equação se destacou pela organização, corporativa principalmente, ao redor dos blogs, a começar pela transição dos próprios blogueiros em executivos de comunicação.

A movimentação de Edney Souza, líder dos dois rankings da blogosfera nacional elaborados pelo IDG Now! em 2006 e 2007, para a Blog Content junto a Alexandre Inagaki e Ian Black marcou o início de uma tendência que dominou o ano em forte ritmo: blogueiros como interfaces para empresas interessadas em falar diretamente com seus consumidores pela internet.

O novo setor forçou o aparecimento de um novo perfil de profissional, responsável por lidar tanto com as exigências e a ignorância do cliente como com um crescente grupo que, contrariado, poderia transformar a pretensão de divulgação em um vagalhão contrário de má publicidade.

A proliferação de consultorias de mídia social (novas, como Pólvora, LiveAd, Dudinka, Sync e Riot ou assessorias de imprensa já estabelecidas, como Edelman, LVBA e Ideal), aliada à ânsia de muitas empresas em travar uma conversa com um novo tipo de formador de opinião, sem qualquer laço com a mídia então estabelecida e com critérios éticos e editoriais nem sempre padronizados, fez com que o primeiro ano das ações sociais no Brasil se caracterizassem pelo seu teor promocional.

"É uma abordagem um pouco superficial que simplesmente explora o blogueiro através de alguma pressão econômica, mas que não se pode repetir com sucesso por muito tempo", define Manoel Lemos, fundador da WebCo e criador da plataforma de busca BlogBlogs, que ganha sua segunda versão na primeira quinzena de dezembro.

Ainda que a abordagem promocional tenha voltado as maiores discussões da blogosfera brasileira para si mesmo em 2008, como em casos envolvendo fornecedoras de material esportivo, fabricantes de celulares ou empresas de bebidas, o ano marcou também belas iniciativas quem exploraram a agilidade da plataforma blog em momentos em que o modelo tradicional de publicação de conteúdo não supria a crescente curiosidade.
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O melhor caso é decorrência direta das enchentes em Santa Catarina, responsável pela morte de 123 pessoas e o desaparecimento outras 29, segundo a Defesa Civil do Estado.

Misturando relatos diretos de quem sofria com as chuvas vindos do Twitter e cruzando referências de diversas fontes, o AllesBlau se transformou rapidamente em um ponto de apoio para novas informações sobre a tragédia.

Não apenas pelo apelo emocional da tragédia, o aparecimento e conseqüente popularização do AllesBlau são indícios claros da maturidade que o blog ganhou em 2008 entre os que fazem e aqueles que trabalham com comunicação.

Assim como o Twitter, porém, a grande audiência não seguiu o passo com o mesmo ritmo - em 2008, um download com serial ou uma capa de revista masculina tiveram muito mais apelo que qualquer discussão sobre o futuro dos blogs.

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